manAs mamas masculinas que crescem  por alteração hormonal ou acúmulo de gordura fazem parte de uma disfunção conhecida como ginecomastia. O trauma psicológico que causa nos jovens e adolescentes só é comparado, nesta faixa etária, ao da orelha de abano. Nos casos de pacientes com sobrepeso ou bariátricos, e que tenham alguma tendência de crescimento da área, também podem apresentar a ginecomastia.

Ginecomastia (literalmente, mamas femininas) é causada por um desenvolvimento excessivo no tecido  da   região  mamária  masculina  e  ocorre nas fases de mudanças hormonais do homem (infância, adolescência e velhice) sem nenhuma doença, na maior parte dos casos. A alteração é normalmente  causada  por  uma  variedade  de  mudanças  hormonais,  sendo  a  maioria  delas reversíveis durante a puberdade.   Ou seja,  a  ginecomastia  é, na maioria dos casos nesta faixa etária, uma condição benigna, tratável e corrigível.

Porém, causas orgânicas devem ser consideradas, especialmente em pacientes mais velhos. Se a condição persistir em um adolescente, a correção cirúrgica é realizada com redução satisfatória na  maioria   dos   pacientes.  Lipoaspiração  é  um procedimento  auxiliar  no  refinamento  dos resultados, mas em poucos pacientes pode ser usado como procedimento exclusivo, exigindo uma pequena incisão abaixo da região areolar (envolta do mamilo).

No homem adulto normal, não há tecido mamário palpável. A ginecomastia  apresenta-se  como uma massa na região mamária, palpável, variando de 1,0 a 10 cm de diâmetro. Ela apresenta-se geralmente unilateral, podendo desenvolver-se, após meses ou anos na outra mama. Quando as duas mamas estão comprometidas, pode haver assimetria e a história de desenvolvimento, seqüencial ou simultâneo, é importante.

O  mamilo  e  a  aréola  raramente  apresentam  mudanças  significativas, embora hipertrofia dos mamilos e alargamento das aréolas possam ocorrer. Os sintomas limitam-se à massa palpável e pouca dor à palpação, principalmente nos adolescentes, porém na maioria dos casos, a doença é assintomática.

As diferentes causas de ginecomastia determinam a abordagem terapêutica mais apropriada. O uso abusivo de  bebida  alcoólica  e maconha podem predispor ao desenvolvimento da doença. A causa mais comum é um aumento nos estrógenos, uma diminuição nos andrógenos, ou um déficit nos receptores androgênicos. Ou seja, os fatores hormonais constituem a causa principal desta disfunção.

Se a causa for puberdade, é melhor esperar pelo menos dois anos para a regressão espontânea ocorrer. Curiosamente, temos detectado que os garotos que modelam o corpo nas academias de ginástica desenvolvem a ginecomastia. Na pressa de resultados, ingerem esteróides, causando a deformidade, que só pode ser resolvida cirurgicamente. Existem outras causas de ginecomastia. Nos casos de homens de idade mais avançada, o uso de medicação no tratamento das úlceras gástricas, tumores da glândula mamária e alterações hormonais exigem uma maior investigação clínica.

A classificação da ginecomastia baseada nas necessidades cirúrgicas é a melhor. Para o planejamento cirúrgico, normalmente os especialistas preferem considerar três classificações:

Grau I: um botão localizado de tecido glandular que é concentrado ao redor da aréola que, geralmente, são fáceis de remover; tórax não gorduroso e não há excesso de pele.

Grau II: ginecomastia difusa em tórax com mais tecido gorduroso, onde as margens do tecido não são bem definidas. A associação com lipoaspiração do tecido gorduroso ao redor é freqüente.

Grau III: ginecomastia difusa com grande excesso pele. Estes pacientes necessitam incisões externas à aréola, na pele, ou reposicionamento do complexo aréolo-papilar ou as duas associadas.

Técnica Cirúrgica

A técnica cirúrgica depende do tipo de ginecomastia e de sua severidade. Basicamente, pode-se apenas incisar em forma de meia-lua  abaixo  da  áreola e remover  o  excesso  de  glândula,  em casos pequenos.  Porém  em  casos  maiores, pode-se utilizar em combinação a lipoaspiração e, eventualmente,   a   mamoplastia  redutora  (nos  pacientes  com  excesso  de  pele).  A  cicatriz areolar  não  costuma  ser  aparente  e  fica  pouco  visível  com   o   tempo. O  cirurgião  retira  a glândula de  consistência  dura  e  aumentada, que deverá ser examinada por um patologista.

No pós-operatório, o edema dura cerca de 7 a 10 dias e o déficit de sensibilidade local em geral é transitório, durando no máximo um ano na maioria dos casos. É necessária a utilização de cinta elástica compressiva de tórax para modelagem.

A escolha de anestesia local ou geral é de preferência pessoal e depende em parte do tamanho da mama e da incisão. A anestesia geral é mais confortável.

A complicação cirúrgica mais comum é o hematoma. Pequenos  hematomas  são  comuns  após correção da ginecomastia grau II.  Retração  areolar pode ocorrer. A sobra de pele é mais comum no paciente idoso que no jovem e pode ser corrigida secundariamente, já  que  muitos   pacientes têm retração de pele satisfatória.

Fonte Adaptada: Bibliomed, Inc.